Entrevista com o Miguelito, o cara por trás da Dicanto Bike Park
Conheci o Miguel quando ele veio para São Paulo para a tour que a Faith Bike fez por aqui.
Sabe aqueles caras que você fica amigo no primeiro dia que conhece? Então, foi assim com ele.
Um cara muito gente boa que além de andar de bike e tocar a Dicanto, ainda arruma tempo pra grafitar.
Em sua passagem por aqui, deixou sua marca na loja do Drac e na pista de São Miguel.
Veja a entrevista que fiz com ele e saiba o que ele pensa.
Nome completo e quanto tempo está no BMX?
Meu nome é Miguel Feiten dos Santos (Miguelito); Estou no BMX desde 1993, parei em 1998, mas em 2002 montei de novo a bike e voltei pros roles.
Como surgiu a ideia de montar uma pista em sua casa e por que o nome Dicanto?
Ter uma pista em casa era sonho antigo, quando a oportunidade rolou resolvi me dedicar a isto. O nome Dicanto eu já usava pra assinar os trampos de Grafitti (stencil art) desde 2009, a idéia veio do nome de um som da banda gaúcha Ultramen, “De Canto e Sossegado”.
Fale um pouco sobre a pista. A localização, as rampas e toda infraestrutura que vocês montaram.
A pista é fácil de chegar, fica perto de uma das principais vias de acesso de Caxias do Sul, a BR 116, e a menos de 10 minutos do centro. Pra quem chegar de avião também é bem perto, fica a 500 metros do Aeroporto. É só montar a bike e descer a rua.
A Dicanto é uma pista rápida, com bowl, quarter, mesa, wallride, spine, Box, sub-box, tudo feito de madeira e coberta.
Aqui na região o inverno pode ser rigoroso, com temperaturas abaixo de zero. Daí a proposta de um lugar que a galera do BMX sempre pudesse colar, uma boa pista, manter os treinos em dia independente do clima, com iluminação, segurança, sanitários, água, todas as condições básicas. Dá pra acampar e passar o fim de semana.
Vocês tiveram ajuda externa de alguma empresa ou tudo foi bancado por vocês?
Não recebi ajuda financeira, mas sempre tive minha família e amigos que acreditaram e trabalharam nessa iniciativa, contribuíram na mão de obra ao longo da construção e com ideias para finalizar a pista.
Já deu pra ter um retorno na questão de evolução dos pilotos locais?
Com certeza. Com o surgimento da Dicanto, muitos pilotos que estavam parados voltaram a andar. Os roles estão melhorando, a pista trouxe novas curvas e obstáculos que não tínhamos na região. A pista tem contribuído muito pra dar um “up” na cena aqui do estado e aumentar o interesse da galera no BMX. Eles estão conhecendo o esporte, começando cada vez mais cedo, e vem de todas as partes.
Você pretende ampliar o espaço?
Com certeza, a Dicanto veio pra ficar. Já tenho ideias para o futuro e estou trabalhando no Traill Dicanto.
Existe um horário com escolinha para crianças?
Sim, nas Segundas feiras a Dicanto está disponível para escolinha de BMX. Os horários são pré agendados e as turmas são de até três alunos por horário.

Depois.
Qual a maior dificuldade em manter um espaço assim?
Olha, acho que as dificuldades são passageiras e sempre vão aparecer. Às vezes grana, conseguir apoio, você tem que ir aos poucos pra realizar seus planos, se profissionalizar, ser obstinado e paciente, não dá pra focar nas dificuldades, tem que buscar solução e desistir não é uma opção. Tudo faz parte do processo. A cultura com relação ao esporte aqui está mudando, com o BMX ficando cada vez mais popular, a cena tem muito pra crescer.
Vocês tem organizado campeonatos na Dicanto e meio que já está entrando no roteiro dos campeonatos pelo Brasil.Você acha que o intercâmbio de pilotos do Sul que vem para São Paulo e vice-versa tem ajudado a dar uma importância aos eventos que vocês fazem?
Com certeza tem ajudado, não só para os eventos, mas também pra valorizar a cena local e os pilotos em geral. Não basta a galera de fora saber que tem pista aqui e que rola um campeonato. Faz a diferença conhecer a opinião de quem já veio, pra despertar o interesse da galera em viajar até aqui. Também temos em mente que mesmo ações independentes como a nossa contribuem para popularização e valorização do BMX e dos pilotos brasileiros, com o fortalecimento das cenas locais, é que vamos crescendo e juntos conquistando a visibilidade e o respeito que este esporte merece. Enfim, não só para a Dicanto, mas neste processo todo o intercâmbio é fundamental.
Você veio para São Paulo para uma tour com a equipe da Faith Bike no começo do ano. Qual foi sua impressão sobre a cena do BMX paulistano?
Como sabemos o BMX em São Paulo tem tradição e é referência para o resto do Brasil. Acho que a principal impressão eu diria até como exemplo para todos é a questão do foco, quem se destaca na cena em São Paulo é porque tá mesmo fazendo uns corres danados e se dedicando dia após dia, são muitos os que acompanham notícias sobre a evolução do pessoal de Sampa, mas as vezes ignoram todo esforço e dedicação que o reconhecimento exige. Também achei legal a cultura local, pois em todos os lugares que a trip passou, fomos bem recebidos e pudemos interagir com os pilotos locais.
Uma última questão. BMX é …um esporte em ascensão, além disso, uma causa, um ESTILO DE VIDA.
Só mais uma informação. Nos dias 18 e 19 de Maio, vai rolar a quarta edição da Dicanto BMX JAM.
Veja mais informações no face deles clicando aqui.
Deva falando do BMX
O looking BMX fez uma entrevista com o Devanir Lima, o Deva, que conta a história dele no BMX.
Ele está machucado no momento mas continua andando no half e na pista de São Bernardo com sua Haro style.
Veja como foi.
“Os Jackson four” – ACBMX
Entrevista e vídeo com a galera do Acre que está passando uma temporada em São Paulo.
CG: Onde vocês estão hospedados?
Cleiton: Estamos na divisa de Guarulhos, na Vila Nova Galvão. Através do nosso amigo Tutano, nós alugamos uma casa e fizemos nossa base lá.
CG: Há uanto tempo vocês já estão em São Paulo?
Gustavo: Hoje está fazendo um mês, e estamos pretendendo passar mais um mês.
CG: Gustavo, você é o único que não é de Rio Branco?
Gustavo: Isso. Sou de Sena Madureira. Minha cidade fica a 140 Km de Rio Branco.
CG: E como vocês se conheceram?
Gustavo: Eles foram uma vez para minha cidade, e ficamos amigos. Depois disso, sempre quando dá, eu vou pra Rio Branco pra andar com eles.
CG: Os outros 3 eu sei que já vieram antes pra São Paulo. E você, já tinha vindo pra cá?
Gustavo: Não, essa é minha primeira vez. Ainda estou assustado (risos). Você pode imaginar? Sou de uma cidade pequena do interior do Acre e derrepente estou aqui em São Paulo, a maior cidade da América Latina. Isso foi um baque pra mim. Mas já estou me acostumando.
CG: Qual é a importância desse intercâmbio que vocês estão fazendo?
Rudson: Pra nós tem sido muito importante pois estamos conhecendo outros lugares para andar e isso tem nos ajudado muito na evolução do nosso BMX.
Cleiton: Eu achei muito bom a experiência com os pilotos profissionais, pois podemos treinar juntos e, com isso, aprendemos muitas técnicas. Eles sempre nos ajudam com uma dica ou outra mostrando onde estamos agindo errado.
CG: Quais locais vocês já conheceram nesse tempo que estão por aqui?
Orlean: Humm..Imigrantes, Radial, São Miguel, São Bernardo, Cabo Sul, Continental e nessa pistinha que estamos gravando hoje (Viaduto Jacareí).
CG: Destes lugares que vocês foram, quais são os que vocês mais gostaram?
Cleiton: As que mais gostamos de andar foram a da Radial e a de São Bernardo. A Radial por ter obstáculos diferentes e altos além da piscina de espuma, que ajuda muito para aprimorar nossas manobras. A de São Bernardo nós gostamos pela extensão dela, onde todos podem andar juntos, e também pela quantidade de obstáculos diferentes por todo o parque.
CG: E a cena lá em Rio Branco, como é? vocês tem pistas por lá?
Orlean: A cena está crescendo, tivemos altos e baixos mas agora só tem crescido. Temos uma pista que fizemos de madeira na cidade do Gustavo, e em Rio Branco tem o tropical e a do canal da maternidade. Andamos muito na rua também. Eu acho que com essa experiência que estamos tendo aqui, o pessoal vai voltar muito mais adrenado cheio de idéias novas.
CG: Com a experiência da Radial, vocês já tem algumas idéias para implantar em relação a obstáculos na pista de vocês? Por exemplo, vocês me disseram que não tem spine e nem rips.
Cleiton: Na verdade a gente está precisando de um lugar fechado pra poder construir uma pista pois a gente sofre muito com as temporadas de chuvas. A gente fica muito tempo parado, e cai muito a nossa produção. São praticamente 6 meses por ano de chuva intercalado com sol. E sobre os obstáculos, estamos sim com idéias novas para fazer por lá.
Gustavo: É que no Acre são apenas duas estações , inverno e verão!
Cleiton: Estamos sofrendo muito aqui, pois como não temos rampas tão altas e com tanta transição fica difícil desenvolver nosso BMX, mas nosso tempo aqui está sendo bom pra podermos melhorar esse nosso outros lado já que nossa pegada mesmo é o real street. Pra você ter uma idéia eu aprendi flair na Radial, pois um dos obstáculos (quarter para a 45) permite treinar a manobra sem muitos riscos de acidentes.
CG: Hoje, quantos praticantes de BMX existem na cidade além de vocês?
Rudson: Aproximadamente uns 20 pilotos
CG: Mas do nível de vocês?
Rudson: Não, do nosso nível temos mais três. Tem também um iniciante chamado Michel que está se destacando bem.
Agradecimentos?
Gustavo: Sk8 Manutenções e ao Brás design, além do ACBMX que me incluiu nessa trip
Todos: Gostaríamos de agradecer ao Tutano, Tia preta, Yara e a Graciete pela acomodação e o Gerliano pela força no projeto da nossa trip.
Segue o vídeo:

Orlean | Foto: Cris Glass

Gustavo | Foto: Cris Glass

Dia da gravação na Imigrantes | Foto: Rafael Souza

Dia da gravação na pista do centro | Foto: Cris Glass
Entrevista: Danilo Bueno
Hoje, inauguramos aqui uma sequência de entrevistas com alguns dos pilotos e pessoas que fazem o BMX acontecer no Brasil. O primeiro da essa lista é o Danilo Bueno, conhecido como “Ferruge”.
O Danilo é um cara que eu admiro muito, pois é um piloto dedicado aos treinos e tem mostrado uma grande evolução nos últimos tempos. Uma coisa que tenho reparado nele, é a sua frieza em competições como ele mesmo explica na entrevista a seguir.
Cris Glass – Vamos começar pelo básico. Idade , tempo de bike e onde mora?
Danilo Bueno – 22 anos de idade, 7 anos de bike e sou de Ponta grossa, Paraná.
CG – Como você comecou a andar de BMX? e qual foi sua influência?
DB – Eu sempre gostei de bike. Tinha alguns amigos que andavam, e eu comecei a curtir aquilo. Então, não fiquei sossegado até arranjar uma bicicleta pra mim e começar a andar.
Sobre as influências, acho que foram os meus amigos mesmo.
CG – Qual é sua rotina de treinos?
DB – Treino quase todos os dias. Na semana, gosto de andar no pôr do sol pra fazer um rolê suave. Nos fins de semana, prefiro andar de bike até não aguentar mais (risos).
CG – Você entrou para o time da Shadow. Como tem sido sua vida desde então? O que mudou?
DB – Tem sido muito bom. Sempre converso com os caras da marca. Um pouco antes da Simpel Session, eles me pediram uma foto para usarem na sessão de autógrafos. Então, quando eu percebi, estava ali, junto com os caras do time, em plena Simpel Session autografando minha foto pra gurizada. Isso foi bem legal!!!
Financeiramente também melhorou muito, pois agora posso me concentrar em treinar e divulgar meu trabalho com mais tranquilidade.

Paradinha em Amsterdam antes de ir para Tallinn, Estônia. Foto: Rui Ogawa.

Autógrafos com o time da Shadow. Foto: Alex Baret - Greenfilms / Divulgação
CG – Você nunca tinha viajado pra fora, conte um pouco como foi a experiência na Simpel Session.
DB – É muito bom conhecer lugares diferentes e viver aquela loucura de mistura de línguas no meio de um monte de piloto que eu só tinha visto por vídeos e fotos… Foi a melhor experiência que já tive na minha vida até agora.
CG – Achei que sua volta foi muito boa, manteve a calma em situação que para um “novato” em campeonatos dessa importância é muito difícil. O que você sentiu quando estava ali, esperando sua vez?
DB – Eu fiquei menos nervoso do que eu achava que eu iria ficar. Consegui manter a calma, fazer quase tudo que eu queria fazer. Por incrível que pareça, pra mim foi como qualquer evento aqui no Brasil. Depois da primeira volta, eu relaxei.
CG – A competição te fez mudar de alguma forma a sua maneira de treinar? Ou não teve influência nenhuma?
DB – Eu vi que tenho que ter menos medo de me jogar nas manobras. Lá fora é incrivel, os caras não tem essa de “putz, não vai dar”; os caras vão e fazem.
CG – Quais os planos para esse ano? pretende participar de mais algum evento lá fora?
DB – Sim. Talvez o The Baltic Games e a Summer Session.
CG – Tem alguma manobra nova saindo do forno?
DB – Estou treinado Barrel Roll.
CG – Gostaria de agradecer alguém?
DB – Sim. Meus patrocínios, Faithbike, The Shadow Conspiracy, Intoxica, Atitude Distro , meu irmão e minha mãe e alguns grandes amigos como o Marco Selbach, Alan Carvalho, Danilo Cius, André Jesus e William Gabriel ”Abobadinho” .
Segue o novo vídeo de Danilo Bueno “Ferruge”.
Julian "Charminho"
Anúncio para a Bighouse com o piloto Julian “Charminho”. Fiz uns materiais em fotos com o Charminho que rendeu esse anúncio e mais um bike check para a Elite Bikes que em breve postarei aqui. Saiba mais em http://bighousebmx.com/

















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